Química Orgânica · Polímeros · 3º ano e pré-vestibular

Ou a dupla abre, ou sai água

Sacola, garrafa PET, pneu, meia de náilon, colete à prova de bala e a proteína do seu cabelo são moléculas gigantes, feitas da mesma reação repetida milhares de vezes. E só há dois jeitos de cada elo se formar. Na adição, a dupla ligação do monômero se abre e os elos se encaixam sem perder nenhum átomo. Na condensação, duas pontas diferentes se ligam e soltam uma molécula pequena, quase sempre água. Olhe o monômero, descubra qual dos dois aconteceu, e a maior parte das questões de prova se resolve.

0 gde subproduto por quilo de polietileno
187 gde água saem para cada quilo de PET
n − 1ligações peptídicas numa proteína de n aminoácidos
584 gde HCl por quilo de PVC queimado
0/0seu placar no treino e no simulado

01 · macromolécula

Um polímero é uma molécula feita de repetições

A palavra vem do grego: muitas (poli) partes (meros). A molécula pequena que entra na reação é o monômero. O trecho que se repete ao longo da cadeia, desenhado entre colchetes, é a unidade de repetição, ou mero. O número de repetições é o grau de polimerização, n. Nos plásticos comuns, n fica entre alguns milhares e algumas dezenas de milhares. Por isso a massa molar chega a centenas de milhares de g/mol.

110100mil10 mil100 mil
Um polímero não tem uma fórmula molecular só. Uma amostra de PVC é uma mistura de cadeias de comprimentos diferentes, e a massa molar informada é uma média. As pontas de cada cadeia (restos do iniciador, um –OH, um –COOH) existem, mas, com milhares de unidades, pesam tão pouco que as provas as ignoram: massa molar ≈ n × massa do mero.

Um monômero ou vários

Uma cadeia feita de um só monômero é um homopolímero. Com dois ou mais, é um copolímero, e a ordem em que eles entram muda o material. Toque em cada arranjo.

02 · duas pontas

Uma ponta só não faz corrente

Para a cadeia crescer, cada monômero precisa se ligar a dois vizinhos: ele precisa de duas pontas reativas. A dupla C=C conta como duas, porque, ao se abrir, cada carbono ganha uma ligação nova. Na condensação, cada grupo funcional é uma ponta: o ácido dicarboxílico tem duas; o diol, também. Com uma ponta só, a reação forma uma molécula pequena e para ali. Com três, a corrente se ramifica e vira uma rede. Escolha a mistura e faça as pontas reagirem.

Cada bolinha é um monômero e cada pontinho cinza ao lado dela, uma ponta livre. Uma ponta só reage com uma ponta do outro tipo que esteja ao lado. A maior molécula da caixa aparece com as ligações em verde.

03 · polimerização por adição

Adição: a dupla abre e nada sai

Um iniciador (um radical, por exemplo) ataca a dupla C=C. A ligação π se rompe, cada carbono fica com uma ligação livre, e a ponta ativa passa para o monômero seguinte, que repete o processo. Em frações de segundo, milhares de monômeros entram na mesma cadeia. Como nenhum átomo sai, a unidade de repetição tem a mesma fórmula molecular do monômero, e a massa de polímero é igual à massa de monômero consumida. A regra para escrever o polímero cabe numa linha: copie o monômero, troque a dupla por simples e estique uma ligação para cada lado.

um trecho da cadeia

Na borracha, a dupla muda de lugar

Nos dienos conjugados (duas duplas separadas por uma simples), a adição acontece nas pontas, nos carbonos 1 e 4. As duas duplas do monômero somem, e aparece uma nova entre os carbonos 2 e 3. Por isso a borracha ainda tem uma dupla em cada unidade, e quem escreve o polímero com a dupla no lugar antigo erra a questão.

o que acontece com cada carbono
cis ou trans: a dupla que sobrou decide

A seringueira produz só o cis-poli-isopreno: as cadeias se enovelam e esticam, e é a borracha. O trans (guta-percha) tem cadeias que se alinham e cristalizam: é duro e já foi usado em bolas de golfe e no isolamento de cabos submarinos.

vulcanização: pontes de enxofre entre as cadeias

Dois monômeros na mesma corrente

Muitas borrachas e plásticos são copolímeros de adição: duas ou três espécies de monômero com dupla entram na mesma cadeia. Para achar os monômeros, separe a cadeia em unidades (cada cor é uma) e devolva a dupla a cada pedaço.

04 · polimerização por condensação

Condensação: as pontas se ligam e sai água

A reação é a mesma das funções orgânicas: ácido + álcool forma éster e água; ácido + amina forma amida e água. A diferença é que cada monômero tem duas pontas. O ácido tereftálico tem dois –COOH; o etilenoglicol, dois –OH. Cada ligação nova solta uma molécula de água, e a cadeia cresce para os dois lados. Se o ácido vier como cloreto de ácido (–COCl), o que sai é HCl; se vier como éster metílico (–COOCH3), sai metanol. Só uma coisa não muda: sempre sai uma molécula pequena, e o polímero pesa menos que os monômeros que o formaram.

Monômero com as carbonilas
Monômero com –OH ou –NH2
um trecho da cadeia

As duas pontas na mesma molécula

Um monômero pode ter, ele mesmo, uma ponta ácida e uma ponta álcool (ou amina). Aí basta uma espécie, e cada elo solta uma água.

Proteína e amido também são condensação

Os aminoácidos têm um –NH2 e um –COOH: são monômeros de condensação prontos. Cada ligação entre eles, a ligação peptídica, é uma amida e solta uma água. Toque nos aminoácidos para montar uma cadeia.

amido e celulose: a mesma glicose

Com três pontas, vira rede

O fenol tem três posições reativas no anel: as duas vizinhas do –OH (orto) e a oposta (para). Cada uma pode receber uma ponte –CH2– vinda do metanal, e cada ponte formada solta uma água. Com três pontas por monômero, a cadeia se ramifica até virar uma rede só: a baquelite, o primeiro plástico sintético (1907), usada em cabos de panela e tomadas.

Onde a regra das duas famílias falha

Livros e provas dividem tudo em adição e condensação. Quatro casos não cabem direito em nenhuma das duas, e as bancas gostam deles.

05 · lado a lado

Adição e condensação crescem de jeitos opostos

Na adição, poucas cadeias crescem muito depressa: a qualquer momento, o frasco tem cadeias já longas e monômero intacto, e quase nada no meio. Na condensação, qualquer molécula reage com qualquer outra: primeiro se formam pares, depois trios, depois pedaços maiores, e as cadeias longas só aparecem no fim. Arraste e compare as duas caixas com a mesma fração de monômero já consumida.

Adição

crescimento em cadeia

Condensação

crescimento em etapas

O resumo que a prova cobra

06 · ao contrário

Do polímero ao monômero: corte e devolva

A pergunta mais comum das provas faz o caminho inverso: dá o polímero e pede o monômero. Na adição, separe a cadeia de dois em dois carbonos (de quatro em quatro, se houver dupla no meio) e devolva a dupla. Na condensação, corte a ligação que a condensação criou, a C–O do éster ou a C–N da amida, e devolva a água: o –OH volta para o carbono da carbonila; o –H, para o O ou o N. Toque na ligação que você cortaria.

Toque numa ligação da cadeia.

07 · propriedades

O formato da cadeia decide a propriedade

Duas coisas mandam no comportamento de um polímero: as ligações covalentes entre cadeias (as ligações cruzadas) e as interações intermoleculares entre elas. Cadeias soltas, presas só por interações, escorregam umas sobre as outras quando aquecidas: o material amolece e pode ser remoldado. Cadeias amarradas por ligações covalentes não escorregam: o material não derrete, só se decompõe.

08 · reciclagem e ambiente

Separar, reciclar, degradar

Os mesmos dois processos explicam o lixo. Um polímero de adição tem a cadeia principal feita só de ligações C–C, e não há nada nela que a água consiga cortar: o polietileno de uma sacola dura séculos. Um polímero de condensação tem, em cada elo, a ligação éster ou amida que a água formou ao sair, e a água pode desfazer o que fez: é a hidrólise, a base da reciclagem química e dos plásticos biodegradáveis. Pode, mas nem sempre consegue depressa, e o PET é a prova disso.

Os sete códigos

O número no triângulo identifica o plástico para a triagem. Toque em um.

Separar pela densidade

Na usina de triagem, os plásticos picados vão para tanques de líquido: o que é menos denso que o líquido boia; o que é mais denso afunda. Escolha o líquido e veja. Desafio: separe os seis em grupos usando só três tanques.

Onde o método falha: o PET (1,33 a 1,40 g/cm³) e o PVC (1,30 a 1,45 g/cm³) têm densidades que se sobrepõem, e nenhum líquido os separa. Um pedaço de PVC no meio de garrafas PET estraga um lote inteiro de reciclado, porque solta HCl quando o PET é fundido. As usinas usam sensores que detectam o cloro.

Reciclagem química: a condensação andando para trás

Em vez de derreter a garrafa, dá para quebrar as ligações éster do PET e recuperar os monômeros. O reagente decide o que volta.

Biodegradável, verde e compostável não são sinônimos

09 · armadilhas

Doze erros que as bancas esperam que você cometa

Cada cartão mostra o raciocínio errado e o certo. São os mesmos erros que geram as alternativas erradas do treino: quando você cai em um, a página diz qual foi.

10 · onde caiu

Onde os polímeros caíram

Questões reais de polímeros nas provas de 2015 a 2026, resumidas com palavras nossas. O link abre o caderno oficial na página da questão. Os cadernos têm direitos autorais: aqui só há o resumo, o que se pedia e onde estava a armadilha.

11 · simulado

Dez bancas, doze questões

Dez questões de múltipla escolha, uma no estilo de cada banca que cobrou polímeros de 2015 a 2026, com o número de alternativas que ela usa, e duas discursivas, no formato da 2ª fase da Unicamp e do Exame Discursivo da UERJ. Todas são inéditas: cada uma imita a habilidade de uma questão real (o link para a original aparece na correção), com outro contexto e outros números. Ligue o cronômetro, responda tudo e só então corrija: cada alternativa errada diz qual raciocínio leva até ela.

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12 · treino

Treino sem fim

O motor sorteia o monômero ou o polímero, desenha a estrutura e gera as alternativas erradas com as mesmas funções de erro das armadilhas. As fórmulas seguem o estilo escolhido no topo da página (plana ou bastão).

sequência: 0 · acertos: 0/0

13 · fontes

De onde vem cada número desta página