Na semana do vestibular da Faculdade de Medicina de Jundiaí, eu resolvi fazer uma experiência: escrever uma questão discursiva de Química por dia, no formato exato da banca, e resolver cada uma em vídeo. Seis dias, seis questões, mais um caderno para imprimir. Não era um plano de longo prazo — era uma forma de ajudar os alunos que eu estava preparando.
O que eu não esperava era descobrir o tamanho do buraco que existe ali.
O aluno de prova discursiva estuda sozinho
Existe material de sobra para o ENEM. Videoaula, apostila, simulado, resumo — o que você imaginar. Mas quando o aluno precisa de uma prova que exige resolução escrita, o terreno muda. Ele encontra provas antigas em PDF, às vezes um gabarito seco, e pouco mais que isso. Quase ninguém senta e resolve uma questão discursiva na frente dele, mostrando o caminho da caneta no papel.
E o problema é que a discursiva não perdoa. Na FMJ, para citar a prova daquela semana, a Química aparece só na Prova I, em quatro questões que valem dois pontos cada — oito pontos de um total de sessenta e quatro. Parece pouco. Só que cada uma tem dois comandos por item, exige cálculo em etapas, e o caderno é explícito: não serão consideradas respostas sem as suas resoluções. O aluno pode chegar ao número certo e ficar sem o ponto porque não escreveu como chegou lá.
Isso não é detalhe de correção. É uma habilidade diferente, que quase não se treina fazendo múltipla escolha.
O que é a seção Discursivas
Foi dessa experiência que nasceu a seção Discursivas aqui do site. A ideia é simples: reunir, em um lugar só, questões de Química no formato de cada banca que cobra resolução escrita — com o padrão de resposta e o vídeo da resolução.
São questões autorais, escritas por mim no molde de cada prova. Não é um banco de questões antigas: é material novo, construído depois de ler as provas anteriores item por item para entender como aquela banca pergunta, que tipo de cálculo ela pede e onde ela costuma derrubar o candidato.
Cada banca tem a sua página, com contagem regressiva para a prova, as questões, o padrão de resposta e um caderno que você imprime e resolve à mão. Por enquanto estão no ar as páginas de FAMEMA, FAMERP, UNESP, UNICAMP, FUVEST — e a da FMJ, com a prova de 2027 já resolvida questão a questão.
Como funciona
O ritmo é o seguinte: uma questão nova por semana, alternando entre as bancas, cada uma com a resolução em vídeo no canal. Nas duas semanas que antecedem cada prova, a frequência aumenta para uma por dia, com foco na banca que vai cair.
E há um pedido que eu faço sempre, porque muda tudo: resolva antes de assistir. Ler uma resolução pronta dá uma sensação boa de aprendizado, mas é uma ilusão — o que a banca corrige é o que você consegue escrever sozinho, no dia, com o relógio correndo. O padrão de resposta está lá para conferir depois, não para consultar durante.
Por que isso vale mais do que parece
Nas provas de Medicina, a Química discursiva concentra menos questões que a Biologia, mas cada uma exige mais etapas: converter unidade, montar a proporção, balancear a equação, interpretar o sinal do resultado. É justamente por isso que ela separa as notas. Duas pessoas com o mesmo conhecimento podem tirar notas bem diferentes dependendo de como escrevem a resolução.
Alguns hábitos simples valem pontos concretos em qualquer uma dessas bancas:
- Escrever a equação química antes de começar a conta, mesmo quando o enunciado já deu a reação.
- Deixar a regra de três montada no papel, em vez de fazer de cabeça e anotar só o resultado.
- Colocar a unidade em toda resposta numérica.
- Ler o item duas vezes: quase sempre ele pede duas coisas na mesma frase, e responder só a primeira metade custa metade do ponto.
O que vem pela frente
O calendário das próximas provas com Química discursiva está apertado. A FAMEMA abre a temporada em 20 de novembro, em fase única. Depois vêm a segunda fase da UNICAMP em 30 de novembro, a da FUVEST em 7 de dezembro, a FAMERP em 11 de dezembro e a segunda fase da UNESP em 13 de dezembro. São quatro provas em duas semanas — motivo de sobra para começar a treinar agora, e não na véspera.
A FAMERP, para quem quiser um alvo claro, é a que mais cobra Química discursiva de todas: seis questões dissertativas.
Se você vai prestar alguma dessas provas, comece pela página da sua banca, imprima o caderno e resolva a primeira questão hoje, com o cronômetro em doze minutos. Depois compare com o padrão de resposta e assista ao vídeo. É assim que rende.
E se você é professor e quer usar esse material com a sua turma, use à vontade. Foi feito para isso.


